Atestados técnicos em licitações: principais motivos de inabilitação de construtoras

Sua equipe passa semanas calculando custos, negociando com fornecedores e ajustando margens para apresentar o melhor preço. No momento decisivo, sua construtora é inabilitada antes mesmo de disputar o contrato.

Em muitos casos, o problema não está no preço.

Está na documentação técnica.

Nas licitações de engenharia, empresas com capacidade real de execução deixam de contratar porque não conseguem comprovar essa capacidade da forma exigida pelo edital.

Esse cenário não é exceção, é recorrente.

E tende a se repetir sempre que a documentação é tratada como etapa operacional, e não como parte da estratégia da empresa.


Onde começa o problema

A fase de habilitação técnica é, hoje, um dos principais pontos de eliminação nas licitações.

A Lei nº 14.133/2021 exige que a Administração verifique se a empresa possui experiência compatível com o objeto contratado.

Na prática, isso significa: não basta ter executado obras.

É necessário comprovar, de forma objetiva, que essa experiência atende exatamente ao que o edital exige.

Pequenas inconsistências são suficientes para afastar a empresa da disputa.


O que realmente valida um atestado técnico

O atestado não é apenas um documento formal.

Ele precisa demonstrar, de forma clara e verificável, a experiência da empresa.

Na análise prática, a administração observa se o documento comprova:

  • execução de serviços compatíveis com o objeto;
  • quantitativos suficientes;
  • período de execução definido;
  • identificação do contratante;
  • resultado satisfatório da execução.

Nas licitações de engenharia, esse documento normalmente está vinculado à Certidão de Acervo Técnico (CAT).

Esse é um ponto crítico.

O atestado comprova a empresa.

A CAT comprova o profissional.

Se esses dois elementos não forem coerentes, a documentação perde consistência.


Por que até empresas experientes são inabilitadas

A maioria das inabilitações não decorre da falta de experiência.

Decorre da forma como essa experiência é apresentada.

A seguir, os pontos mais recorrentes.

Incompatibilidade com o objeto da licitação

A empresa possui experiência.

Mas não naquilo que o edital exige.

Exemplo hipotético:

Uma licitação exige comprovação em estrutura de concreto protendido.
A empresa apresenta atestados de pavimentação.
A Administração pode entender que não houve comprovação suficiente.

Aqui, o problema não é técnico.

É documental.

Quantitativos abaixo do exigido

Outro ponto frequente está nos limites mínimos exigidos pelo edital.

Se o atestado não demonstra quantitativos suficientes, a empresa pode ser inabilitada.

Antes da entrega, é necessário confirmar se o documento evidencia:

  • execução das parcelas relevantes;
  • volumes compatíveis com o edital;
  • correspondência direta com o objeto licitado.

Divergência entre atestado e CAT

Esse é um dos fatores que mais geram dúvida na análise.

As inconsistências mais comuns incluem:

  • descrição diferente dos serviços;
  • quantitativos divergentes;
  • datas incompatíveis;
  • ausência do profissional indicado.

Mesmo divergências pequenas podem comprometer a validade do conjunto documental.

CAT inadequada

A Certidão de Acervo Técnico precisa refletir exatamente o que está sendo apresentado.

Na prática, ocorrem situações como:

  • CAT vinculada a outro profissional;
  • ausência de correspondência com o atestado;
  • registros incompletos;
  • incompatibilidade com o objeto licitado.

Quando isso ocorre, a comprovação técnica perde força.

Confusão entre capacidade técnica

Ainda é comum confundir dois conceitos distintos.

Capacidade técnica profissional:

relacionada ao engenheiro.

Capacidade técnica operacional:

relacionada à empresa.

Uma não substitui a outra.

A ausência de qualquer uma delas pode levar à inabilitação.

Interpretação inadequada do edital

Muitas empresas são inabilitadas não por erro documental, mas por erro de interpretação.

Entre os problemas mais frequentes:

  • leitura superficial do edital;
  • ausência de documentos obrigatórios;
  • inclusão de documentos irrelevantes;
  • erro na identificação das parcelas relevantes.

Aqui, o risco não está no documento.

Está na estratégia.


Por que a análise da administração é rigorosa

A análise técnica não é meramente formal.

Ela busca evitar riscos concretos na execução contratual.

Uma contratação inadequada pode gerar:

  • paralisação da obra;
  • necessidade de aditivos;
  • aumento de custos;
  • prejuízos ao interesse público.

Por isso, a tendência é de rigor.

E, em muitos casos, de interpretações restritivas.


Como reduzir riscos na habilitação

A organização do acervo técnico deixou de ser uma atividade administrativa.

Passou a ser uma função estratégica.

Na prática, empresas mais estruturadas adotam medidas como:

  • manutenção de banco atualizado de atestados;
  • revisão periódica da documentação;
  • atualização das CATs junto ao CREA;
  • classificação dos documentos por tipo de obra;
  • conferência prévia dos quantitativos;
  • revisão final antes da entrega.

Esse processo reduz falhas e aumenta previsibilidade.

Documentação técnica define o resultado

Em muitas licitações, a disputa não é decidida no preço.

Ela é decidida na habilitação.

Uma proposta competitiva perde relevância quando a empresa não supera essa fase.

Por isso, a documentação técnica deixou de ser um requisito formal.

Passou a ser um elemento determinante para a contratação.

Empresas que tratam esse ponto de forma estruturada:

  • reduzem riscos de inabilitação;
  • aumentam a taxa de sucesso;
  • ampliam oportunidades de contratação.

Para saber mais sobre licitações públicas com base na nova Lei 14.133/21 acesse:
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> a LEI Nº 14.133, DE 1º DE ABRIL DE 2021, Lei de Licitações e Contratos Administrativos.

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Dra. Kariny Antunes, fundadora do escritório de advocacia Farina & Antunes, é uma advogada de referência na área de Licitações Públicas. Com experiência na aplicação da Lei nº 14.133/2021 e um olhar estratégico para contratações com o poder público, a Dra. Kariny lidera uma equipe preparada para atuar em todas as fases dos certames licitatórios – da análise de editais à gestão contratual. Se você busca maximizar suas chances de sucesso em licitações, garantir segurança jurídica e contar com uma assessoria altamente especializada, está no lugar certo. Confie na expertise de quem transforma conhecimento técnico em resultados concretos.

Kariny Antunes

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