Adequação à LGPD: seguir o modelo de mercado ou começar pela governança?

Você sabia que a maioria das consultorias promete adequação à LGPD em etapas, deixando a governança para o meio ou o fim? Será que essa é realmente a escolha mais estratégica?

Neste artigo, vamos analisar de forma crítica se vale seguir o roteiro tradicional do mercado ou inverter a lógica, destacando os impactos de começar pela governança nos custos, na cultura de privacidade e na maturidade do programa e convidando você a refletir antes de dar o próximo passo.


O que o modelo de adequação à LGPD do mercado oferece na prática

Grande parte das consultorias oferece pacotes prontos com um roteiro padronizado:

  1. Diagnóstico e mapeamento de dados.
  2. Documentação jurídica e revisão de contratos.
  3. Implementação de medidas técnicas.
  4. Treinamentos de conscientização.
  5. Governança de privacidade como última etapa.

Esse modelo de adequação à LGPD é atrativo porque entrega resultados visíveis rapidamente, como políticas publicadas, banners de cookies e planilhas de mapeamento. O custo inicial costuma ser menor, o que agrada empresas que buscam “resolver” a LGPD com agilidade.


Por que começar pela governança pode ser mais eficiente

Colocar a governança de privacidade como ponto de partida significa estruturar, desde o início, os papéis e responsabilidades. Isso inclui definir quem será o encarregado (DPO), quais áreas terão pontos focais e como as decisões serão tomadas.

✔️ Vantagens de começar pela governança:

  • Direciona os investimentos em tecnologia e jurídico, evitando gastos duplicados.
  • Cria desde cedo um caminho oficial para tratar dados pessoais.
  • Fortalece a cultura de privacidade, tornando o tema estratégico e não apenas operacional.

Desafios:

  • Requer maior envolvimento e comprometimento da alta direção desde o início, o que pode gerar resistência interna.
  • Exige investimento maior no início.
  • Pode gerar a percepção de “poucas entregas práticas” nos primeiros meses.


Seguir o mercado ou inverter a lógica?

Seguir o fluxo do mercado na adequação à LGPD pode parecer mais simples e econômico a curto prazo, afinal, é o que a maioria faz. No entanto, ao deixar a governança para o final, as primeiras entregas ficam “soltas”, sem dono, e acabam tendo que ser refeitas, elevando custos e gerando retrabalho.

Começar pela governança, por outro lado, cria um alicerce sólido que guia todas as etapas seguintes. Essa escolha é mais cara no início, mas tende a gerar economia e maturidade a médio e longo prazo, reduzindo retrabalhos e fortalecendo a conformidade.

Como ficaria um plano de 12 meses com governança desde o início

Um plano anual poderia ser estruturado assim:
Meses 1 a 2 – Estruturação da governança (nomeação do encarregado, criação de comitê, treinamento da alta direção e definição de políticas macro).
Meses 3 a 5 – Mapeamento de processos e dados (inventário, ROTD/ROPA, fluxos).
Meses 6 a 10 – Ajustes documentais, contratuais, medidas técnicas e de segurança da informação.
Meses 11 a 12 – Treinamentos, auditorias internas e fortalecimento da cultura de privacidade.

Dessa forma, a governança não é a última entrega, mas sim o eixo central que sustenta todo o projeto.


Um novo olhar para a adequação à LGPD

Seguir o modelo do mercado pode parecer mais fácil, mas não garante uma conformidade duradoura. Começar pela governança exige mais esforço no início, porém constrói uma base sólida que protege a empresa de retrabalhos, gastos desnecessários e da perda de cultura de privacidade ao longo do tempo. A LGPD pede responsabilidade e prestação de contas; a governança desde o início é o caminho mais alinhado a esses princípios.


Perguntas frequentes

1. O que significa começar pela governança na adequação à LGPD?
Significa estruturar logo no início quem decide, quem executa e quem responde pelas ações de privacidade, criando um comitê de privacidade e nomeando um encarregado (DPO) antes de outras etapas.

2. Por que o mercado costuma deixar a governança para o final?
Porque entregar diagnósticos, políticas de privacidade e banners de cookies logo de início gera uma sensação de progresso rápido e atrai clientes que buscam soluções imediatas.

3. Começar pela governança deixa o projeto mais caro?
Sim, o custo inicial tende a ser maior, pois envolve consultoria estratégica e estruturação. Mas, a médio e longo prazo, essa escolha evita retrabalhos e gastos duplicados.

4. A LGPD exige que a governança seja o primeiro passo?
A lei não fala em etapas, mas no Art. 50 prevê um programa de governança em privacidade. Ou seja, não é “fase final”, é um pilar para sustentar todas as outras ações.

5. É possível seguir o modelo do mercado e ainda assim ter governança sólida?
Sim, desde que a empresa crie um “esqueleto mínimo” de governança (encarregado e responsáveis) desde o início, mesmo que a consultoria só formalize a etapa no fim.

Deseja compreender a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)? Então, clique aqui para acessar nossas publicações sobre o tema. Além disso, não se esqueça de seguir nosso perfil no Instagram clicando aqui. Ao clicar abrirá outra janela do seu navegador ou seu aplicativo do Instagram.

Nossa equipe possui sólida experiência na implementação de programas de adequação à LGPD, governança em privacidade e proteção de dados pessoais. Desenvolvemos soluções personalizadas para assegurar a conformidade com a legislação vigente e com as orientações da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), reduzindo riscos jurídicos, operacionais e reputacionais.

Oferecemos consultoria personalizada em adequação à LGPD para empresas que buscam estruturar ou aperfeiçoar seus processos de tratamento de dados pessoais, com segurança jurídica e foco em conformidade regulatória.

Entre em contato conosco e conheça as soluções mais adequadas para sua organização estar em conformidade com a LGPD.

Dra. Kariny Antunes é advogada especializada em Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e licitações públicas, além de proprietária do escritório Farina & Antunes Advocacia.

Veja também